Bimarketing: Entenda o que é e como aplicar no seu conteúdo

Leia em 6 minutosNo século 21, conteúdo virou o novo petróleo dos negócios. Ele é o combustível que faz uma marca crescer e se conectar com o público. O problema é que produzir conteúdo com constância nem sempre é simples: muitas empresas travam sem saber por onde começar ou como fazer isso sem gastar uma fortuna. Os números confirmam esse movimento. O mercado global de marketing de conteúdo já movimenta a casa de centenas de bilhões de dólares por ano, com projeções de crescimento de dois dígitos nos próximos anos. No Brasil, 94% dos internautas já compram pela internet, e 75% fazem isso pelo menos uma vez por mês, segundo dados da Opinion Box. Entre os profissionais de marketing B2B, 92% já colocam o marketing de conteúdo no centro da estratégia, segundo o Digital Marketing Institute. Isso significa que o problema não é mais convencer alguém de que conteúdo importa. O problema é saber o que criar, e é exatamente aí que a maioria trava. É aqui que entra o bimarketing: um sistema prático para organizar a produção de conteúdo de marketing, feito tanto para quem está começando quanto para quem já produz conteúdo e quer um método mais estruturado. Ele não é uma tecnologia nova nem uma fórmula mágica. São só duas decisões simples, repetidas sempre que você for planejar um novo conteúdo. Como funciona o bimarketing O bimarketing parte de duas decisões. A primeira é sobre a origem da demanda: o conteúdo nasce de uma busca que já existe, chamada de demanda explícita, ou de um comportamento que a audiência ainda nem sabe nomear, chamada de demanda comportamental. A segunda decisão é sobre o que fazer com o conteúdo depois de identificar essa demanda. Você pode expandir, multiplicando a presença sobre um assunto inteiro, ou refinar, concentrando esforço no que já deu certo. Juntas, essas duas decisões formam as quatro etapas do bimarketing: escuta de mercado, escuta de audiência, ocupação total e otimização total. É um jeito simples de organizar qualquer estratégia de marketing de conteúdo, sem precisar de dezenas de variáveis pra decidir o que produzir. As quatro etapas do bimarketing Cada uma das quatro etapas responde a uma pergunta diferente dentro da sua estratégia de conteúdo. Duas fontes de demanda, dois tratamentos de conteúdo: nunca mais que isso. 1. Escuta de mercado Escuta de mercado é a etapa em que buscamos entender o que o cliente já pesquisa sobre o tema, antes de qualquer conteúdo ser criado. Chamamos isso de SEO: a lógica de descobrir o que já é buscado e com quais palavras exatas isso é buscado. Essa etapa se apoia em algumas fontes de dado. O autocompletar do Google e do YouTube revela as variações reais que o público já digita sobre o tema, sendo que a busca em texto e a busca em vídeo costumam trazer variações diferentes. A seção “As pessoas também perguntam”, que aparece nos resultados do Google, mostra perguntas relacionadas ao mesmo tema, formuladas pelo próprio comportamento de busca de quem já pesquisou. E ferramentas como vidIQ, Planejador de Palavras-chave do Google Ads, Ubersuggest, SEMrush, Ahrefs e Google Trends quantificam esse comportamento: mostram volume de busca, concorrência e tendência de cada termo ao longo do tempo. Nenhuma dessas fontes substitui a outra, elas se complementam. Essas variações de termo se dividem em três categorias: 2. Escuta de audiência A escuta de audiência é onde a mágica acontece. Depois de capturar o público com conteúdo otimizado para busca, é hora de criar material original, baseado nas interações geradas pela etapa anterior. Essa etapa transforma o engajamento (comentários, perguntas e reações) em combustível para novos conteúdos. O objetivo é responder às dúvidas e interesses do público de um jeito único e inovador, criando um relacionamento contínuo com a audiência. Exemplos de como isso funciona na prática: Esse processo transforma o conteúdo de uma resposta simples em algo envolvente e personalizado, promovendo um ciclo contínuo de interação. É uma abordagem que vai além do conteúdo informativo, aproximando-se de algo mais relacional e criativo. 3. Ocupação total Depois de produzir conteúdo relevante nas duas escutas, é hora de maximizar o impacto com a ocupação total. Isso significa distribuir o mesmo conteúdo em formatos e plataformas diferentes, garantindo que ele chegue ao maior número possível de pessoas, ocupando todos os espaços. Essa reutilização inteligente de conteúdo economiza tempo e recursos, garantindo que a marca esteja presente em vários canais sem precisar reinventar a roda a cada nova publicação. A ocupação total maximiza o retorno sobre o conteúdo produzido e mantém a marca visível e relevante em várias frentes. 4. Otimização total A otimização total acontece depois da publicação, e combina dois movimentos sobre o que já foi provado eficaz pelos dados — nunca um movimento isolado. Movimento 1 — Reotimização: você identifica, pelos dados de performance pós-publicação, qual conteúdo e quais tags/termos performaram acima da média, e reotimiza esse conteúdo específico — título, thumbnail, abertura, tags — usando os termos que geraram o melhor resultado. Movimento 2 — Expansão semântica: a partir do mesmo tema que já performou bem, você produz novas variações semânticas desse tema. Por exemplo, se “financiamento imobiliário” performou bem, produzir também sobre “financiar imóvel” — mesmo tema, semântica diferente. Os dois movimentos sempre andam juntos. Reotimizar sem expandir deixa dinheiro na mesa, porque um único conteúdo, por melhor que fique, tem teto. Expandir sem reotimizar desperdiça a chance de melhorar o que já é comprovadamente bom antes de multiplicar ele. A ocupação total garante presença em todos os espaços. A otimização total garante que o esforço futuro vá para o que já provou que funciona. Quem criou o bimarketing Allan Patrick de Almeida e Metzger, mais conhecido como Allan de Almeida e Metzger (@comallandealmeida) nas redes sociais, é empresário, marqueteiro e escritor. Atua há mais de 12 anos na área de marketing e hoje é CMO e sócio da Bext. É autor do livro “Tudo é Conteúdo” e criador do framework bimarketing. Formou-se em Psicologia e em Marketing, e se especializou em gestão
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